ALBORADA - SAYRI ÑAN

1.29.2011

A PONTE DO INCA




"O aventureiro olhou para o alto, ansioso por fincar bandeira nas alturas do Aconcágua. Estava a dez passos do "Cementerio de los Andinistas" (1) e podia sentir o desalento que perpetua a história dos que tombam sem hastear a bandeira de seus países; enterrados, alí, como atestado do despreparo, da irresponsabilidade ou da falta de sorte. Procurou não pensar, evitou sentir. Seu pé fincava-se, no chão, com força, em uma desesperada tentativa de enxergar-se maior do que a empreitada. O guia aproximou-se, calmamente, com um sorriso e uma desculpa. Hoje, não iriam a lugar nenhum. O clima mudara, rapidamente, outra vez, seria impossível alcançar o topo nos próximos dias. Ele tentou retrucar, calando-se, imediatamente, ao lembrar-se do cemitério. O guia consolou-o: ainda não afrontaria o vento gelado da montanha mas... mostrar-lhe-ia os segredos e mistérios da Ponte do Inca..."





No caminho para Las Cuevas (fronteira com o Chile), encontramos um dos balneários mais famosos da Argentina. Os banhos nessas águas são recomendados para diversas doenças e as características naturais da região rivalizam com o mistério de suas lendas... para nos encantar...


Em 1965, uma devastadora avalanche destruíu o lindo Hotel Puente del Inca que havia, anteriormente, sobrevivido a inúmeras catástrofes. Era uma construção sólida, suntuosa, com acesso subterrâneo aos banhos termais - nessa área emergem fontes de água quente, mineral, que borbulham sem parar...
As provas do deslizamento ainda estão lá, revelando a cascata de rochas que rolou, abruptamente, para o fundo do vale...
Felizmente, hóspedes e funcionários, "milagrosamente", foram salvos, ao se abrigar na igrejinha que permaneceu intacta e pode ser vista ainda hoje.


Localizada na Cordilheira dos Andes, a 2.720 metros acima do nível do mar, a Puente del Inca (Ponte do Inca), é famosa por ser uma ponte natural, única no mundo, declarada Monumento Natural. Ao que parece, foi formada pela ação das águas, excessivamente, minerais, e pela ação das águas termais nos sedimentos depositados no fundo de uma cavidade. Devido a elas, a coloração laranja, amarela, ocre tinge toda a área e, qualquer objeto que se coloque sob elas, fica, de tal forma, impregnado de sais minerais que adquire uma aparência de pedra.

Na margem direita, as famosas termas, com cinco fontes do mesmo tipo, mas de diferentes temperaturas e componentes. A paisagem, cercada de montes, se estica, dezenas de metros sob a Ponte, nas águas do rio Las Cuevas...



(Quarenta e sete metros de comprimento por vinte e oito de largura, sobre o Rio Las Cuevas. Chama-se Ponte do Inca porque a nobreza Inca servia-se de suas medicinais águas termais que fluem das piscinas sob ela.)



A história da Ponte começa com o Caminho do Inca e suas lendas...




Supõe-se que os Incas  tenham aproveitado de suas águas com propriedades curativas. Sua fama é, justamente, devida, principalmente, a seus banhos termais. Construções existentes, ao lado e sob a ponte, como pequenas piscinas por onde as águas correm, termais, originárias de fontes naturais com temperaturas variando entre 34 e 38 graus. Os banhos são recomendados para perturbações do sistema nervoso, doenças reumáticas, tratamento ginecológico, crianças anêmicas, raquitismo e artrite.




A área é ideal para o turismo de aventura, escalada de montanha, equitação e esportes na neve.








Nas proximidades, encontra-se o "Cerro Los Penientes", chamado assim porque seus paredões de pedra, quando olhados da distância, parecem enormes monjes em procissão.



Desde a ponte, quando o sol faz brilhar o amanhecer em tons, absolutamente, dourados, revelando estalactites de rocha, há um mundo mágico que nos transporta... desenhando fluidos arco-íris na água e no gelo, insinuando conotações fantásticas na natureza que sempre fez do lugar algo sagrado para os Incas...


O nome do lugar vem de uma lenda...






Há muito, muito tempo... muito antes da chegada dos espanhóis...








A LENDA DA PONTE DO INCA








O sucessor do Império Inca encontrava-se, gravemente, enfermo. Ele era um príncipe sábio e justo, como o pai, e todos o amavam muito. Em todo o Tahuantinsuyo todos oravam aos deuses fazendo sacrifícios e oferendas por sua saúde. Porém o príncipe só piorava e todos temiam que sua morte colocasse em risco o futuro do Império. Ao consultarem os Amautas (2), estes disseram que o príncipe recuperaria a saúde se pudesse banhar-se nas águas de um certo lugar, muito distante, na direção do sul, entre as rochas e montes da Cordilheira. Lá, segundo eles, brotava uma água capaz de curar todas as doenças.


No entanto, para se chegar lá, deveriam atravessar distâncias, desertos e escalar montanhas. Sem perder tempo, o Inca ordenou que se preparasse uma comitiva para acompanhar o príncipe e pela manhã partiram, de Cusco, em busca das poderosas águas. Ao amanhecer, seguiram pela estrada - com muitas lhamas, carregadas de alimentos e de todo o necessário para uma tão longa viagem. Apesar da preocupação com o príncipe, a viagem lhes proporcionou conhecer uma parte do Tahuantinsuyo que os deixou maravilhados...


A longa travessia os conduziu por montanhas abruptas, vales tranquilos, campos desertos e prados verdejantes, rios, riachos, noites enluaradas e dias de ouro e luz. Por dias e dias estiveram a caminho, compartilhando com a natureza e seus deuses uma experiência única.




De dia o sol lhes proporcionava todas as nuanças de verde e o colorido de muitas flores exóticas; a grandeza e o esplendor da natureza os arrebatava. À noite, os espectros gigantescos das montanhas os colocava, diante do desconhecido, com assombro - sons e ruidos como se a terra falasse com eles com voz que só eles pudessem compreender, repetindo o eco nos precipícios, na imensidão dos vales...


Até que, como um anúncio de que estavam próximos do objetivo, estacaram, paralisados pela visão do monte mais bonito e misterioso que haviam visto. Estavam diante do Aconcágua, o pico mais alto da Cordilheira dos Andes e seu poderoso Apu (3).
Vencendo a surpresa e o entusiasmo, seguiram em frente e, depois de uma curta caminhada, na qual muitas lebres atravessaram seu caminho como que para saudá-los, chegaram, quase no final da tarde, a uma ravina. Lá embaixo, encaixado na ravina, corria um rio caudaloso, que avançava, invencível, sobre as pedras...


O som da trombeta, a quepa, (4) quebrou o silêncio para anunciar que haviam chegado. Porém, não havia nada a fazer: as fontes termais estavam do outro lado da ravina, inacessíveis...




Um desânimo total se abateu sobre eles diante da impossibilidade que se apresentava. Passaram, alí, a noite, cansados e esperando que o Sol, Pai de todos os Incas, trouxesse uma solução para o problema.






Pela manhã, como que liderados pelo poder e amor do Sol, do qual todos Incas são filhos, os soldados da comitiva, guerreiros do Inti (5), começaram a abraçar, uns aos outros, formando uma ponte humana para que o Filho do Sol pudesse alcançar o outro lado. O Inca caminhou sobre suas costas, com o filho nos braços e, assim, pode chegar até as fontes termais, encontrando a cura para o menino.






Quando olhou para trás, para agradecer aos seus guerreiros, estes se haviam petrificado e se tornado o que hoje conhecemos como "Puente del Inca".






Talvez seja essa a minha lenda favorita pelo que ela representa. Assim é o grande Tahuantinsuyo. O poder do Sol aliado à força dos homens e mulheres de um reino, eternamente, em busca da perfeição. Essa lenda representa muitas coisas. Há o divino, presente em todas as etapas do caminho e em todas as descobertas e há o lado humano, buscando superar suas dificuldades com união e fé, nunca desistindo de seus objetivos e cumprindo seu dever até o fim.




Essa lenda, certamente, expressa o Tahuantinsuyo em sua forma mais simples e, ao mesmo tempo, mais grandiosa: terra de deuses, pátria do Sol, nação de guerreiros...




Contam alguns que, quando a noite se aproxima, quando os montes estão esfumados, envôltos em véus de surprendentes formas, pode-se ver passar uma caravana de estranhas figuras, como que saída do tempo, do silêncio, atravessando de um monte a outro, eternamente buscando pelas águas que curam...










(1) localizado no lado sul da rota que une Mendoza a Santiago do Chile, a uma distância de 1.500 metros da "Puente del Inca", a seis quilômetros de Los Penitentes.




(2) pessoa de grande sabedoria, professor, mestre.


(3) espírito da montanha


(4) (quepa ou pututu) - grande trombeta feita de um grande caracol marinho, com o canal interno espiral.


(5) em quéchua, Sol.



              (ARGENTINA - ÚLTIMO RAIO DE SOL DO GRANDE TAHUANTINSUYO)



1.28.2011

PRINCESINHA DE PEDRA - A LENDA.






Nos tempos do Império Inca, as gigantescas escadas, que pendiam sobre o Vale Sagrado, deixaram florir o maior e melhor milho do Tahuantinsuyo, as frutas mais doces, as flores mais belas e plantas medicinais para suprir os mercados. O mítico monte Linle foi esculpido, para isso, e os habitantes de Pisaq podiam orgulhar-se de viver alí.
Alí, Pachacutec mandou construir uma cidade-fortaleza para abrigar sua Panaka.


Pisaq foi, assim, chamada, pela enorme quantidade de perdizes (ou pisaqas), que lá existiam; hoje é chamada Linle, sem que haja uma explicação para o nome. Para alguns autores, Pisaq vem da palavra quéchua pisaq, que seria o nome de um pássaro extinto; outros, dizem que era o nome do governador da região. O caso é que a palavra existe, em quéchua, e é utilizada para designar uma ave parecida com a perdiz européia e que vive, especialmente, a três mil e oitocentos metros do nível do mar.
Às portas do Vale Sagrado dos Incas - um lugar que, por muitos séculos, ou mesmo milhares de anos, exalou magia e mistério, cortado pelo sagrado rio Willkamayu, que irriga suas entranhas...




Quando os visitantes vêm para a praça de Pisaq ainda podem encontrar um tipo de comércio que, se ao longo dos anos está desaparecendo, persiste, apesar da força, inexorável, dos tempos modernos: é o sistema de trocas - este sistema comercial foi usado pelos antigos povos da Cordilheira dos Andes, muito antes dos Incas - é a troca de produtos sem dinheiro. Troca-se artesanato, produtos agrícolas, produtos animais, como lã. É um sistema eficaz e simples, que permite a pessoas, de diferentes áreas geográficas, o acesso a outros produtos.


Para além das fachadas de pedra, que ostentam detalhes, de linhas perfeitas - muralhas... Aquedutos, que conduziam a água pelas artérias da montanha sagrada... Ninhos de condor ao longo das vertentes, para além de torres e bastiões... Duas cidades de pedra, um observatório astronômico, templos magníficos, o Intiwatana, a necrópole, nas cavidades da rocha, onde colocavam  os mortos...


Mais um dia amanhece e, diante da cidade, na encosta ocidental do Willkamayu, no alto de uma colina, o monólito, que tem a figura de uma mulher com phullu (uma espécie de manta) dobrado sobre os ombros, desafia o tempo, a distância e o amor - como o próprio Tahuantinsuyo, que, ainda, espera... como ela...


 




Há muitos e muitos anos... em Pisaq...


Seu povo, de boa índole, sofria com o assédio do povo da floresta, os antis, que, no tempo das chuvas, aproveitavam para invadir o lugar. Os Incas, seus aliados, não podiam ajudar, pois não conseguiam passar para o outro lado quando o rio ficava caudaloso. A linda princesa Inkill Chumpi  nascera nessa situação e, embora tivesse, no próprio Vale Sagrado, muitos pretendentes, quando menina, ouviu o oráculo do arco-íris, Wankar Kuichi, que estivera prisioneiro em um dos morros diante de Pisaq, profetizar que muitos principes viriam, de diferentes regiões e que casar-se-ia com ela aquele que pudesse construir a ponte sobre o rio em uma só noite.
Ela, então, afastava todos os pretendentes de Pisaq, esperando pelo prometido salvador, até que, certo dia, Asto Rimaq, filho do kuraka dos wallas, reino do misterioso Antisuyo, chegou. O jovem lhe trouxe muitos presentes maravilhosos porém, nenhum como o Qoriqenqe, belíssimo pássaro de dourada plumagem, com listras azuis, amarelas e vermelhas, e que revelava o futuro com seu doce canto. 

Ao tomar conhecimento da profecia de Wankar Kuichi, o Qoriqenqe declarou que a ponte seria construída em uma única noite e que as pedras se desprenderiam sozinhas das pedreiras. Os dois jovens, Inkill e Asto, deveriam cruzar o rio sagrado. Asto Rimaq ficaria na margem do rio e a linda Inkill subiria pela encosta levando a melhor Coca, como sagrada oferenda, deixando as folhas cairem ao chão, depois de beijá-las, constantemente, até chegar ao topo. Ele foi entático ao afirmar que, se ela se voltasse para olhar, os dois jamais se veriam, outra vez, e morta estaria a esperança do seu povo.
Ela prometeu seguir as instruções do pássaro e, depois de atravessar o Willkamayu, começou a subir pela encosta. Mal caiu o primeiro punhado de Coca sentiu-se um tremor que foi crescendo até converter-se em um estrondoso movimento. As pedras se desprendiam sozinhas e os blocos voavam sobre as águas. Seu andar movia o ambiente como se tivesse vida. Algumas roçavam-se e o contato produzia raios e relâmpagos. De repente, tudo parou, de uma vez. Foi então que, a linda Inkill não pode aguentar a curiosidade e, virando-se para olhar, foi transformada em pedra, enquanto o desditoso prometido era arrastado pelas turbulentas águas do Willkamayu - a gigantesca ponte não pode ser construída.
Consumida pela tristeza, a ave de Asto Rimaq disse que seu fim estava próximo e que, assim que morresse, entregassem sua plumagem ao Inca. O amarelo, segundo indicou, era o símbolo da riqueza, o azul, snônimo da sabedoria e o vermelho, do poder.
Disse ainda que o Inca deveria mantê-las juntas. Se as separasse, determinaria a queda do Tahuantinsuyo. Huayna Qhapaq, que não sabia disso, pois os sacerdotes guardaram o segredo só para eles, dividiu as penas que estavam em sua testa, cingidas pela maskapaycha, entre seus dois filhos, Huascar e Atahualpa, o que precipitou o final do Império.


esta lenda pode ser lida em:
Maximiliano Rendon, "Leyendas del Valle Sagrado de los Incas y otros Estudios”, Cusco, 1960



 

1.27.2011

A ROSA DOS INCAS - ENTRE PÉTALAS DE SANGUE E DE PEDRA.

                                              (pendente em forma de gota de rodocrosita)



                                              Conta a lenda Diaguita que... (1)



Um chasqui da região de Andalgalá (2) fez questão de cobrir, ele mesmo, a imensa distância que o separava da Capital, a fim de entregar, pessoalmente, ao Inca, um presente. Depois de três longos dias e noites, alcançou as últimas pedras da estrada que levava à morada do Filho do Sol. Cansado, feliz e emocionado, apresentou ao Inca as pétalas cor de sangue de uma rosa, petrificada, que levava consigo, como dádiva...

'Certo dia, há muito tempo atrás, um destemido guerreiro inca decidiu, ousadamente, quebrando todas as regras do Tahuantinsuyo, adentrar o templo das Virgens do Sol, para espiar. Ao ver uma delas, apaixonou-se, sendo, por ela, correspondido. Do amor impossível, que os dois não puderam evitar, ela conceberia uma criança e, então, resolveram fugir, juntos, para o sul.
O Inca colocou grupos armados para persegui-los mas, jamais logrou encontrá-los. O tempo passou e tiveram muitos filhos, porém, eternamente amaldiçoados pela transgressão que haviam cometido. Quando ela morreu, sepultaram-na no topo da montanha e ele, não suportando a solidão, morreu logo depois...'

Certa tarde, o chasqui, encontrando sua tumba, ficou impressionado ao ver que desabrochava, em pétalas de sangue, a pedra que a cobria. Ele, então, arrancou uma das rosas para presentear o Inca. Este, aceitando a rosa de rodocrocita que lhe oferecia o chasqui, emocionou-se, de tal modo, que perdoou o amor dos amantes fugitivos e, a partir de então, todas as princesas passaram a usar pedaços da pedra como símbolo de paz, perdão e profundo amor.



Esta é uma lenda diaguita. O povo diaguita ocupou o território da atual província de Catamarca, La Rioja, Santiago del Estero e Tucumán (Argentina).
  





A pedra, é a Rodocrocita. Os Incas, que a chamaram de "Rosa Inca", acreditavam que a rodocrosita era o sangue de seus antigos reis e rainhas que fora transformado em pedra.







Rodocrosita é a Pedra Nacional da Argentina, também chamada "piedra del inca". 
A mineralização é de origem vulcânica, localizada em uma cratera, constituída por riolita, nas SIERRAS CAPILLITAS, pertencente ao Nevado de Aconquija, na província de Catamarca, na Argentina, a 3.200 metros acima do nível o mar.
A região de Catamarca produz estalactites de rodocrosita que são únicas em sua coloração. Ao fazer cortes transversais, pode-se ter faixas concêntricas de luz e sombra, sempre brincando com os tons.






No noroeste argentino, nos Vales Calchaquies, os diaguitas desenvolveram uma cultura rica. Resistiram, por mais de cem anos, ao avanço espanhol: guerras Calchaquies, nas quais se destacaram os líderes Kipildor (Quipildor), Viltipoco (1561), Chalemin, Juan Calchaqui, Koronhuila ( chamado pelos espanhóis de Coronilla).

Existem umas 62.000 pessoas que falam espanhol, na província argentina de Catamarca, Salta, Santiago del Estero, La Rioja e extremo noroeste de Tucumán que, em 2001, se consideravam pertencentes a esse grupo étnico. No entanto, os diaguitas foram extintos, como parte, é claro, da invasão espanhola em território americano. Trouxeram a guerra, a fome, as doenças e, por último, a mestiçagem. 

No momento da chegada espanhola, os diaguitas estavam incorporados ao Tahuantinsuyo, perfeitamente adaptados; tendo alcançado um alto nível na exploração agrícola e na criação de lhamas. Fabricavam adornos de prata e cobre e eram mestres na arte da cerâmica.






A música diaguita pode ser conhecida através de estudos arqueológicos. Nos cemitérios foram encontrados instrumentos musicaiss, tais como a flauta andina de quatro vozes feita de pedra - provavelmente, essas flautas eram populares e tenham sido, também, fabricadas de materiais mais leves, de madeira ou bambú. Também foram encontrados cornetas, apitos de pedra, com um furo lateral, que emite um som agudo, dependendo de estar tampado, ou não, o orifício. Pelos instrumentos encontrados, pode-se apurar que sua música tinha tom militar.



(pallo de lluvia - inicialmente idealizado para atrair a chuva em época de seca e colheita; é feito de tronco de cacto e reproduz um som de chuva que, dependendo do movimento das mãos e do tamanho do instrumento, vai desde o som de um chuvisco ao de uma tormenta)


Viviam em casas de pedra com telhados de palha. Eram bravos guerreiros que, antes de se incorporar ao Tahuantinsuyo, haviam lutado com os Incas; combateram os espanhóis, ferrenhamente, e suas armas típicas eram o arco e a flecha - combatiam a pé. Em tempos de guerra, os diaguitas habitavam aldeias fortificadas ou "pukara", localizadas em lugares elevados e de difícil acesso; fáceis de se defender e apropriados para lançar objetos, desde o alto, nos que os atacavam. Esses lugares eram construídos com muralhas de pedra e, algumas vezes, com entradas de madeira. Em tempos de paz, suas casas eram construídas com materiais vegetais e os terrenos divididos com pircas (3).



A economia diaguita baseava-se na agricultura e criação de lhamas, úteis no transporte da carga; completando-a com caça a aves e pequenos animais e o comércio entre outros povos, principalmente os povos litorânios, dos quais obtinham peixes, mariscos, conchas, etc. Cultivavam o milho, abóbora, batata, quínua... Com os povos do interior, faziam intercâmbio de metais, coca e alguns alimentos vegetais.




As características geográficas da região que habitavam os diaguitas corresponde aos "Valles Transversales", formados pelas cadeias montanhosas que se desprendem da Cordilheira dos Andes, interrompendo a planície interior. A vegetação se compõe de bosques, alfarrobeiras; a fauna, entre outros, raposas e perdizes.


Todas estas culturas foram de alto desempenho. Além das atividades que realizavam, dedicavam-se, muito, ao pastoreio do rebanho de lhamas, que desenvolveram a partir da domesticação dos animais. Quase durante todo o ano os animais alimentavam-se nas cercanias dos vales mas, no verão, os rebanhos eram levados aos ricos pastos da Cordilheira.


Homens e mulheres eram de estatura bem baixa, de cor bronzeada clara. Praticavam a deformação craniana, prática comum entre eles. Adoravam o Sol. Possuíam sacerdotes, magos e feiticeiros. Acreditavam na imortalidade da alma.
(1) também chamados Calchaquies
(2) município da Argentina localizado na província de Catamarca
(3) muros de pedra seca, típico dos Andes





               (ARGENTINA, ÚLTIMO RAIO DE SOL DO GRANDE TAHUANTINSUYO)

                                                                            

1.26.2011

RUMIÑAHUI - O GENERAL DO OLHO DE PEDRA.


"No ano de 1985 o Congresso Equatoriano determinou que o dia primeiro de dezembro de cada ano fosse um dia de lembrar Rumiñahui como herói e defensor do Reino de Quito."

Rumiñahui é um apelido; em quéchua significa " olho de pedra ". Certamente, além das referências históricas, que exaltam sua atitude firme, contra os espanhóis, na Batalha de Monte Chimborazo, fora sempre um dos melhores guerreiros, senão o melhor, do exército de Atahualpa.


Nascido em Pillaro, na atual província de Tungurahua, no Equador, com o nome de Pillahuaso, morreu no dia 25 de junho de 1535, após haver liderado a resistência contra os espanhóis, no norte do Império Inca ( atual Equador), em 1533. Assumiu a resistência, com mão de ferro, depois do assassinato de Atahualpa, pelos espanhóis, em Cajamarca. Os historiadores tendem a crer que tenha sido meio-irmão de Atahualpa, filho de alguma nobre, de Quito, com o Inca.


Quando Francisco Pizarro prendeu Atahualpa, exigindo o resgate, Rumiñahui, prontamente, marchou para Cajamarca, levando uma grande quantidade de ouro mas, como se sabe, os espanhóis quebraram a palavra e Atahualpa foi morto antes que ele chegasse lá, o que fez com que voltasse a Quito, escondendo o tesouro, como já foi dito, anteriormente, na região de Llanganates.


Tomando conhecimento da resistência de Rumiñahui, Francisco Pizarro enviou seu lugar-tenente, Sebastián de Benalcázar, para tomar Quito e trazer todo o ouro que pudesse ser conseguido. As forças de Rumiñahui e Benalcázar se encontraram na Batalha de Monte Chimborazo, onde Rumiñahui foi derrotado. No entanto, antes que as forças espanholas invadissem Quito, Rumiñahui ordenou que fosse queimada até o chão, e que, as ñustas (virgens do templo) fossem mortas para preservar sua honra. Rumiñahui foi, finalmente, capturado, torturado e morto pelos espanhóis, mas nunca revelou a localização do tesouro.


Como general dos exércitos de Cuzco, Rumiñahui é lembrado por ter participado, em várias campanhas, nas quais ele pode secundar o próprio Atahuallpa e, constantemente, o acompanhava. Com a morte de Huayna Capac a aproximação entre os dois foi, naturalmente, ainda maior, seja pela experiência vivida, seja pela precipitação dos acontecimentos futuros.
Rumiñahui teve intensa participação na guerra civil, movida por Atahualpa ao seu irmão, legítimo Inca de Cusco, Huascar Inca, mantendo estreito contato com seu lider. No início das hostilidades, esteve presente nos confrontos mais importantes, ao lado de Quizquiz e Chalcochima mas, quando a área de operações foi transferida para a capital inca, ele foi designado para proteger a retaguarda. Desse modo, encontrava-se em Cajamarca no terrível momento da captura de Atahualpa.
Ao que parece, experiente general, quis atacar os espanhóis no momento de sua chegada; Atahualpa, no entanto, preferiu não fazê-lo. Rumiñahui permaneceu, então, acampado fora da cidade, com um exército armado de cinco mil soldados.
Historiadores e leigos se deparam com uma única questão que, ao que parece, jamais será respondida.




Por que, então, Rumiñahui não moveu o seu exército e destruiu os espanhóis, naquele momento?




Podemos inferir que a férrea disciplina militar incaica não permitiria que ele tomasse uma tal decisão sozinho, o que o fez esperar pela decisão de Atahualpa, mesmo em poder dos espanhóis. Em segundo lugar, por causa da rapidez da ação e da confusão causada, uma interferência sua poderia atentar contra a integridade física do Inca que, naquele momento, encontrava-sebem no meio da matança.
Quando a derrota inca foi, claramente, exposta, Rumiñahui ordenou a retirada do exército para Quito, sem sofrer nenhuma perda.


Durante o cativeiro de Atahualpa, limitou-se a controlar a presença espanhola, enquanto a coleta do tesouro para o resgate era supervisionada, pessoalmente, por Quilliscache, irmão do Inca. Com a morte de Atahualpa, Rumiñahui percebeu que os espanhóis chegariam até os territórios e preparou-se para agir. Encontrou a oposição de Quilliscache que, preferia usar de diplomacia com os estrangeiros que já haviam dado provas de invencibilidade.


Revoltado com a fraqueza do herdeiro legítimo de Atahualpa, decidiu agir. Com o pretexto de um banquete em homenagem póstuma ao Inca, reuniu todos os parentes de Atahualpa e seus fiéis e, no meio da reunião, prendeu todo mundo. Antes de nomear-se Senhor de Quito, matou a Quilliscache, considerando-o um traidor da terra de seus antepassados. Os cronistas espanhóis fazem um relato macabro dessa morte, o que prefiro não compactuar, pois também haviam dito que ele matara todos os filhos de Atahualpa nessa ocasião, o que não procede, visto que, depois, apareceram vivos.


Inicialmente, as forças espanholas só podiam contar com as tropas de Banalcazar que, por conta própria, se aventurara na conquista do território do norte, cego pela possibilidade de encontrar ouro, pois era dito que haveria em grande quantidade.
O lugar-tenente de Pizarro, acompanhado de Almagro, veio, logo, juntar-se a ele, com poucos homens, no sentido de trazê-lo à razão. Paulatinamente, esse contingente foi reforçado com a chegada de Don Pedro de Alvarado, conquistador do México, que havia alcançado os Andes, a partir de Puerto Viejo, deixando, atrás de si, um número impressionante de vítimas. Mesmo Rumiñahui não estava sozinho. O exército de Zope-Zopahua e o de Quizquiz, vindo da região de Cusco, vieram juntar-se a ele. Os três exércitos operavam, separadamente, o que teria facilitado aos espanhóis combatê-los, um a um, com vantagens estratégicas.


No entanto, o fator, que definiu o conflito, foi a presença dos Cañari, que se aliaram aos invasores. Antigos inimigos do povo de Quito, acreditaram poder aproveitar-se da ocasião para derrotar seus "opressores" e obter liberdade. Abasteciam os espanhóis com os suprimentos necessários, encarregavam-se do transporte de bagagens e, na hora da batalha, eram os primeiros a entrar em combate, deixando que os espanhóis interviessem no meio da luta para resolver a situação.


As primeiras batalhas, no entanto, foram acirradas: Teocajas, Ambato, Pancallo e Latacunga foram favoráveis aos exércitos de Quito, que não perdiam terreno. Quizquiz, sozinho, matou quatorze inimigos em uma única luta, obrigando o exército espanhol a recuar. No entanto, um estranho fato fez com que fosse morto por seus próprios homens que queriam um estado de guerrilha.
Rumiñahui organizou táticas para lidar com os cavalos: buracos no chão, cobertos por galhos e folhas, para impedir o avanço destes, mas, os Cañari iam na frente, desmantelando as armadilhas.


Quando os espanhóis, finalmente, entraram em Quito, encontraram-na incendiada e abandonada.
Perseguidos pela cavalaria, os guerreiros de Quito fizeram verdadeiros malabarismos, no entanto, estavam acostumados a batalhas rápidas, enquanto os estrangeiros a longas campanhas. As deserções cresceram, dia após dia, e Rumiñahui foi forçado a deixar a área, perseguido pelos inimigos. Restava-lhe um punhado de homens; o líder invencível tentou, ainda uma vez, a fuga mas, foi feito prisioneiro, depois de uma terrível luta. Pouco depois, Zope-Zopahua, também, caiu prisioneiro, aparentemente abandonado pelos seus e forçado a entregar-se. Rumiñahui e os outros foram submetidos a tortura, mas não revelaram nada. Vendo que seus esforços eram inúteis, os espanhóis decidiram pela sua morte e, em 25 de junho de 1535, Rumiñahui, Zopa-Zopahua, Quingalumba, Razorazo e Sina foram executados, de forma bárbara.




Rumiñahui, no Equador, é considerado "defensor de Quito", herói nacional e, sobre ele, muitas obras foram escritas.




1) Llescas, segundo cronistas espanhóis.






 

QHAPAQ ÑAN - O CAMINHO DO GRANDE SENHOR.



"O jovem estacou, arfando algum cansaço, enquanto tentava suspirar e respirar, ao mesmo tempo. A visão dos Andes assolou seus sentidos, com mais força, ainda, sufocando-o, completamente. Experimentado em muitos caminhos, soltou a bike, olhando seus companheiros, lá em baixo, e arfou de novo. 'Não, definitivamente, não existe nada parecido com isso.' Subira um pouco mais que os outros, conduzindo a bike com cuidado, arriscando-se, às vezes, para espiar. Haviam rodado uma centena de metros e chegado ao sopé de uma montanha e, depois de alguns minutos, depois de alguns arbustos, o monte de rochas cinzentas, desordenadamente arranjadas pela mão do tempo, anunciava, uns metros mais acima, o Qhapac Ñan(1), como uma fina linha cinzenta, subindo pelos penhascos, como todos tinham visto, perplexos, desde a quietude da estrada. Lembrou-se de tudo o que lera sobre o Caminho e constatou que palavras jamais poderiam descrevê-lo. Nenhum ser humano poderia descrever a emoção da descoberta. Foi como voltar no tempo, a uns quinhentos anos; foi como ver o ir e vir da Civilização da América. Sentiu um pouco de inveja de não pertencer a tudo isso e, então, pensou, 'estou aqui!'. Gritou para os companheiros que sorriram de volta, cheios de entusiasmo e alegria. Então, galgou, com força e segurança, os metros que o separavam do Qhapac Ñan. Pisou nele com a reverência de quem começa a voltar para casa. Gritou, 'ah!' com toda a força de seus pulmões, quase com raiva, misturando todos os sentimentos em um mesmo pacote. Não pensou nos rapazes, lá embaixo, esqueceu-se de tudo o que vivera até alí. Seus pés estavam, finalmente, sobre o Caminho do Grande Senhor."




A partir da praça de Wakaypata, que delimitava a dualidade da cidade de Cusco em Hanan e Hurin (Alto e Baixo Cusco), confluíam os quatro caminhos incas, pois a cidade era o centro de convergência da Rede Viária do Qhapac Ñan. Este, com suas confluências, foi a chave de toda a organização social e espacial da vida Inca, além de agregar funções adinistrativas, econômicas, políticas, religiosas e, também, bélicas. A partir do Qhapac Ñan, toda uma rede de caminhos secundários, igualmente importantes, ligava, completamente, o Tahuantinsuyo.


Pavimentadas com pedras, apesar da concepção das estradas não ter um padrão único e, sim, adaptado à geografia de cada região, foram feitas para durar. A largura das estradas também varia: em algumas áreas chega a ter 15 metros, em outras, atinge um metro e meio, para poder flanquear algumas ravinas ou barrancos. Ao longo de toda a rede viária, a cada vinte quilômetros, ou segundo a necessidade, havia construções chamadas tambos (2). Esses tambos podiam acomodar os transeuntes e viajantes, além de armazenar alimentos, grãos e roupas. O exército imperial inca, quando em campanha, também, servia-se desses tambos. O Qhapaq Ñan foi a base para o desenvolvimento do Tahuantinsuyo e sua consolidação como Império -  se estendia até o norte da Argentina, norte do Chile, Bolívia, todo o Peru e Equador, chegando ao sul da Colômbia. Unindo selva, serra e litoral, o caminho andino, que se desdobrava em todo um sistema de estradas e pontes, com um intenso tráfego de pessoas e mercadorias, deixou de cumprir seu papel original assumindo seu lugar na História, como parte integrante da Cultura do Planeta.


O Caminho Principal possuía 5.200 quilômetros e ia de Quito (Equador) até Cusco (Peru), e terminava no que é hoje Tucumán, Argentina, cruzando montanhas e colinas, com alturas de mais de 5.000 metros.


O Caminho da Costa, paralelo ao mar, possuía 4.000 quilômetros e ligava-se ao Qhapac Ñan através de várias conexôes. Tanto este quanto a Via Costeira possuíam uma largura máxima de quatro metros.
São quatro as principais estradas. A primeira ia de Cusco (Peru) até Quito (Equador) e Pasto (Colômbia). A segunda estrada ia de Cusco para Nazca (centro do Perú) e Tumbes ( fronteira entre Perú e Equador). Uma terceira estrada principal ia de Cusco a Chuquiabo (Bolívia). E a quarta via levava de Cusco para Arica (Chile), com ramificações até o rio Maule (Chile) e San Miguel de Tucumán (Argentina).


O Qhapac Ñan tornou-se um caminho mítico e o símbolo de toda a grande Civilização da Antiga América do Sul, passando a representar, no coração dos que o buscam, nos dias atuais, de uma outra forma, mais fluida, mais imaginária, o que representava para o povo Inca em seu cotidiano. O que era material assume, hoje, um caráter espiritual e aventureiro - unindo o passado ao presente, através de seu pavimento de pedras cinzentas; transportanto-nos, de volta, às origens de uma América tão pouco compreendida.
Construído durante o auge do Império, no século XV, era seu traço de união e vetor de intercâmbio e circulação, irrigando-o com vida, conduzindo, diariamente, pessoas de todas as "classes", como militares, comerciantes, artesãos e... os chasquis. Estes, eram mensageiros que, revezando-se a cada cinco quilômetros, corriam pelas estradas, para levar toda espécie de mensagens, o que permitia que elas chegassem o mais rápido possível ao seu destino.


A cada sete quilômetros havia um Pukara (3) que controlava o movimento das estradas, a cada vinte quilômetros, um tambo, e a cada cinquenta quilômetros, chegava-se a uma cidade importante. Até hoje, mesmo através de caminhos menos preservados, pode-se chegar a todos os grandes lugares de cerimonial pré-colombianos, tais como Chavin de Huantar, Tihuanaku, Machu Picchu, Vale Sagrado do Urubamba, às grandes cidades do Império como Tumebamba e Cusco, numerosas ruínas de edifícios militares, comunidades rurais e centros urbanos, cidades coloniais históricas, como Ingarpica, Cuenca, Cajamarca y Tarma. Concomitantemente, pode-se, até mesmo, chegar a sítios arqueológicos de outras culturas pré-colombianas como a dos Cañaris, Mochica, Chimu.


Especificamente em Cajamarca, palco triste do que representou o "fim" do Tahuantinsuyo, com a prisão e morte de Atahualpa, o Qhapaq Ñan do Chinchaysuyo percorre a região, longitudinalmente, com caminhos secundários, transversais, o que faz com que Cajamarca esteja entrecortada de antigas estradas. De norte a sul o Qhapac Ñan, vindo de Huamachuco até Cajabamba, passando por Cauday, baixando ao río Crisnejas, subindo até Chancay pela subida do Inca, dalí passando Ichocán, San Marcos, Namora, contornando a lagoa de Sulluscocha até chegar aos Banhos do Inca (local favorito de Atahualpa), atravesando la zona de Shaullo. Dos Banhos do Inca, o caminho conduz a Cajamarca e, dalí, até Rumichaca, depois Incatambo (San Pablo), subindo, outra vez, até o noroeste, até Chancay Baños (Santa Cruz) passando pela área de Pucará antes de cruzar, várias vezes, la ravina de Huancabamba para alcançar, depois, Caxas e Ayabaca, em Piura. Completando, ainda existem vestígios desses caminhos de Cajamarca a Hualgayoc, a Bambamarca e a Celendín, na estrada para Chachapoyas. Há, ainda, um caminho transversal partindo de Huancabamba, em Piura, que passa por San Ignacio e Jaén, em Cajamarca, indo em direção a Kuelap em Chachapoyas. Outros, ainda, ligando Cajamarca à costa pelo vale de Chicama em La Libertad ou pelo vale de Jequetepeque até Lambayeque.




Ainda que os especialistas no assunto comparem o Qhapac Ñan à rede de estrada do antigo Império Romano, particularmente, creio eu que não possa haver comparação possível, visto que foi construído nas alturas dos Andes, chegando a cinco mil metros acima do nível do mar, com todas as dificuldades que a obra de engenharia teve de enfrentar para sua realização. É, definitivamente, uma das grandes maravilhas do mundo, atravessando quinze ecorregiões diferentes, quatro delas ameaçadas de extinção ( Yungas Peruanas, os Cerrados Secos do Marañón, o Matagal Chileno e a Selva de Inverno do Chile.




O "Qhapaq Ñan", O Grande Caminho Inca, que estendia suas veias através de suas estradas e trilhas, ao longo de quarenta mil quilômetros, unindo os Andes - montanhas, litoral e selva -, espera, agora, para ser incluído na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.




(1) Caminho Principal (ou Real).


(2) em Quéchua, significa descanso.


(3) Posto Fortificado, Aduaneira.



                                                                     

1.25.2011

QUENA - A VOZ DA MONTANHA, QUE CHAMA...




Quena é a flauta dos Andes, construída de madeira ou bambú que, antigamente, era feita de osso, argila ou metal. A típica quena dos incas possuía de vinte centímetros de comprimento, feita do osso da pata da lhama. Possuem seis furos em linha reta, na parte da frente.


Conta a lenda que...


Nos tempos antigos as Virgens do Sol utilizavam lã de vicunha para tecer os mantos sagrados e íam, juntas, aos mercados, para escolher os mais bonitos novelos. Em uma dessas visitas, foram acompanhadas pela filha de um grande curaca (1). Andavam por um caminho que se alongava em meio a pequenas colinas até chegar ao seu destino. De repente, do alto, veio o som de uma flauta que só a filha do curaca parecia ouvir. Deteve-se ela e, então, como em um sonho, caminhou, lentamente, até aquele que tocava a flauta misteriosa. Era um pastor de lhamas que, enquanto apascentava os animais, tocava seu instrumento.


Apaixonaram-se, enquanto em silêncio, se olharam...


No entanto, a diferença social que havia entre os dois era uma barreira a esse amor e, encontravam-se com dificuldade; só se viam quando ele a chamava com sua flauta, tocando a mesma canção que ela escutara a primeira vez.
Uma tarde ela não veio. Em vão, o pastor tocou, muitas vezes, a flauta, chamando-a.


O crepúsculo trouxe a noite quando ele, sem poder suportar mais, desceu até o povoado para averiguar a causa de sua ausência. A aldeia estava em festa e a moça que ele amava iria se casar com o filho de um curaca vizinho, inimigo do pai da garota. O noivo chegara com um séquito e muitos presentes. Os moradores olhavam, admirados, tanta riqueza, porém, com indiferença.
Quando a buscaram, para que recebesse o noivo, não a encontraram. Havia desaparecido como que tragada pela terra. Em vão, a buscaram. Pensou-se até que o pai não queria casá-la com o filho do inimigo. Houve ameaças e o povo saiu a procurá-la até nas aldeias mais afastadas sem, no entanto, encontrá-la.


Tempos depois acharam-na morta, no lugar onde, sempre, se encontrava com o pastor de lhamas. Passou o tempo  e sua tumba, todas as manhãs, estava coberta de flores do campo. Um dia, porém, a encontraram profanada.


O pastor, enlouquecido, havia tirado, de seus restos mortais, um osso da perna, fugindo para longe. Com o osso fez uma flauta que soava mais doce do que qualquer outra. E, todos os dias, ao entardecer, sentado diante da imensidão das montanhas, tocava sua flauta, como antes, chamando a amada, que não esquecia. Por isso dizem que a quena é tão suave e melancólica, porque nasceu da dor do amor...




 (1) Curaca: oficial do Império Inca, que ocupava a posição de magistrado, cerca de quatro níveis abaixo do Sapa Inca. Os Curacas foram os chefes dos ayllus ( clã da família ).




                                                                      

1.24.2011

A MENTIROSA ESTÓRIA E O VERDADEIRO INCA. !!!!!



Detalhe central do mural da "historia del Qosqo"( por Juan Bravo), para o município de Cusco: a figura central é Pachacutec, como reconhecimento ao iniciador da expansão inca, a organização do Tahuantinsuyo e o legado que dura até hoje.




A Lenda do Amor Rebelde.


Um mínimo de conhecimento sobre o Povo Inca nos faz compreender que esta "estorieta" de amor jamais teria existido. Parece que é de um autor anônimo, eu ousaria dizer que deve ter sido inventada por um dos "Conquistadores" que, além de violentos, eram ignorantes e usaram isso como artifício para deteriorar a história de um povo que eles, além de destruir fisicamente, pretendiam destruir mentalmente, no sentido de escravizá-los, expondo sua cultura ao mundo de forma pejorativa.


Mais fácil é, para mim, acreditar na lenda do Mapinguay, um enorme e corpulento animal, de um só olho e com as patas traseiras de boi terminadas em garras. A única maneira de destruí-lo é cortando-lhe o olho. Para exemplificar o que digo, basta pensar na lenda do Chullachaqui, demônio da selva, criado, pelos padres espanhóis, para obrigar os incas a batizarem-se na igreja católica; ele aparece a todas as pessoas que não creem em Deus e que não estão batizadas.






Bem, desse modo, divirtam-se ao ler o conto de fadas que usarei para ilustrar, de forma invertida, o que foi uma Civilização que pautava pelo cumprimento do dever de cada um para que os direitos de todos pudessem existir.




Ollantay: Rebelião por Amor.


Conta-se que o capitão Ollanta (ou Ollantay) tenha se apaixonado por Cusi-Coyllur, filha do Inca Pachacutec. Ao pedir a mão da princesa e ter seu pedido negado, revoltou-se, trancando-se em uma fortaleza. No entando, desse amor, a princesa Cusi-Coyllur dá à luz uma filha e o Inca Pachacutec morre de indignação e vergonha.


O príncipe herdeiro, então, vinga-se, sitiando Ollanta e encerrando sua irmã em uma prisão. Depois de muitos anos, quando o Inca, finalmente, consegue a rendição da fortaleza, Hima-Sumac, filha do capitão e da princesa, intercede pelos dois, obtendo perdão para ele e a libertação da mãe.




Não que um inca não pudesse apaixonar-se ou que não estivesse, enquanto ser humano, sujeito a isso. Mas, como disse, anteriormente, a estrutura do Tahuantinsuyo era uma verdadeira "máquina", com perfeitos encaixes, que não davam margem a atos de tal monta. Em primeiro lugar, havia um respeito muito grande pela sociedade como um todo - ainda que ela fosse uma princesa, ninguém colocaria o Império em perigo por amor; a menos que ele não fosse inca, o que não é o caso.


Todos no Tahuantinsuyo sabiam qual era o seu lugar e o ocupava com propriedade, era isso que garantia, sem ser preciso a força das armas, o funcionamento perfeito da "máquina", e o que proporcionava vida em abundância, prosperidade e fartura para todos.


Também, nenhum Inca, muito menos Pachacutec, iria morrer de indignação ou vergonha. Antes, uma outra solução prática, qualquer, teria sido aplicada com referência ao tal capitão.


Não se teria perdido tantos anos, nem se teria investido tanto, para sitiar uma fortaleza inútil, que não traria benefícios ao Império, nem acrescentaria nada a ele. Um Inca tinha suas responsabilidades, tinha também regras a seguir, não tomava decisões que não levassem a um bem comum - para isso contava com as Panacas, famílias nobres tradicionais que o circundavam, mesmo a sua prória Panaca, e todas, ainda, teriam de ouvir suas múmias ancestrais para tomar decisões. Isso era uma prática diária no Tahuantinsuyo.


E, depois de tudo isso, dizer que a filha dos dois teria conseguido obter o perdão seria ultrapassar a loucura em si mesma. Viver no Tahuantinsuyo era uma dádiva, muitos povos, quando conquistados, por vezes sem a força de armas, mesmo, aceitavam fazer parte dele, pois sabiam que isso era garantia de fartas colheitas e uma vida cheia de benefícios: estes, eram iguais para todos - as crianças, ao nascer, recebiam um "topo" de terra, o que lhes garantiria o sustento através da vida; os jovens, ao casar, recebiam ajuda para construir sua casa - ninguém ficava ao relento. Quando alguém morria, o "topo" voltava para o Estado para ser doado a outro recém-nascido.


Para finalizar, trata-se de Pachacutec (Pachakutiq). Nada mais, nada menos do que o iniciador do Tahuantinsuyo. Sua figura representa o início de toda uma época de transição e reestruturação da sociedade inca, uma etapa de mudanças que continuaria,depois de sua morte, em 1471, com seu filho, Tupac Yupanqui e seu neto, Huayna Capac. Foi ele quem, realmente, transformou o Tahuantinsuyo em um Império.


Sua visão de Estadista e guerreiro conquistou muitas etnias e estados, expandindo seus domínios, sendo considerado um líder excepcional. Muitos hinos e épicos seriam cantados e contados sobre ele, como tributos a seus feitos.






Pachacutec, "o que muda o rumo da terra"




"...y los tales señores caciques se fueron de allí derechos donde Viracocha Inca estaba y le dijeron cómo Inca Yupanqui los enviaba allí a que viesen en qué era servido, que ellos le sirviesen; y como Virachoca Inca los viese delante de sí y tan gran multitud de señores y de tanto poder, holgose mucho de ello (...). Después de repartirles vasos de chicha y porciones de coca, levantose en pie Viracocha Inca y considerando que pues su hijo le enviaba aquellos señores y ellos tanto le amaban y le querían por señor, que era justo que él asimismo en ello les animase. Les hizo cierta oración, por la cual él de su parte les agradecía lo que por él y por su hijo habían hecho, y que ya sabían (...) que él hasta allí había sido señor del Cusco, y que se había salido de él por causas que para ello le movieron; y que de allí en adelante Inca Yupanqui, su hijo, había de ser Señor en la ciudad del Cusco".


Tomado de "Suma y narración de los Incas", cronista Juan de Betanzos.




Ainda quando não havia sido designado como sucessor, por seu pai, Wiracocha Inca, enquanto este e seu filho Inca Urco, saíam da Capital, diante da iminência de um ataque mortal e sob terrível ameaça. dos Chancas, tomou a si a tarefa de proteger a cidade e a vitória sobre estes fez com que Wiracocha o reconhecesse como sucessor em 1438.






Implantou o sistema de mitmakuna, ou mitimaes - traslados- em todo o Tahuantinsuyo: eram grupos de pessoas enviadas pelo Estado, a qualquer ponto conquistado pelo Inca, a fim de realizar tarefas específicas de coesão. Colonizavam, ensinavam as técnicas e modos de produção cusquenhos, ou seja, da capital Cusco, ensinavam leis e costumes, divulgavam a religião dos incas. Também controlavam as populações recém incorporadas ao Tahuantinsuyo, produzindo os elementos básicos que cobrissem suas necessidades, reproduzindo traços culturais para uni-los ao todo.


Com o aumento do Império, aumentou também a demanda de alimentos, moradias e necessidades básicas, pelo que Pachacutec investiu em uma série de obras de construção, como a formação de novos bairros , novas praças, etc, e também, agrícolas, intensificando a produção, graças à criação de canais, para melhor distribuição de água, bem como todo um novo sistema de armazenamento e a construção dos andenes (terraços para plantio). Remanejou áreas, ao redor de Cusco, para que fossem utilizadas como sementeiras, relocando seus ocupantes em outros lugares, igualmente férteis.


Reedificou o Templo do Sol, tranformando-o, de um humilde lugar, de culto so sol a um suntuoso templo que passou a ser conhecido como Qoricancha (Templo de Ouro).


Foi quem organizou o Império em quatro regiôes, ou suyos (Tawantinsuyo - as quatro regiões), tendo como centro a cidade de Cusco (umbigo, ou centro, do mundo): a leste, Antisuyo, a oeste Contisuyo, ao norte o Chinchaysuyo e, ao sul, o Collasuyo.






Diversas crônicas afirman que foi tambén um grande administrador, planificador, filósofo, observador da psicología humana e carismático general. Juan Díez de Betanzos em sua "Suma y Narración de los Incas" (1551) diz que Pachacutec foi um jovem íntegro, "muy virtuoso, muy amigo de hacer el bien a los pobres" (muito virtuoso, muito amigo em fazer o bem aos pobres).



              (Monumento a Pachacutec em Aguas Calientes, perto de Machu Picchu, no Perú)
 
 

A MENTIROSA ESTÓRIA E O VERDADEIRO INCA.



Detalhe central do mural da  "historia del Qosqo"( por Juan Bravo), para o município de Cusco: a figura central é Pachacutec, como reconhecimento ao iniciador da expansão inca, a organização do Tahuantinsuyo e o legado que dura até hoje.


A Lenda do Amor Rebelde.






Um mínimo de conhecimento sobre o Povo Inca nos faz compreender que esta "estorieta" de amor jamais teria existido. Parece que é de um autor anônimo, eu ousaria dizer que deve ter sido inventada por um dos "Conquistadores" que, além de violentos, eram ignorantes e usaram isso como artifício para deteriorar a história de um povo que eles, além de destruir fisicamente, pretendiam destruir mentalmente, no sentido de escravizá-los, expondo sua cultura ao mundo de forma pejorativa.
Mais fácil é, para mim, acreditar na lenda do Mapinguay, um enorme e corpulento animal, de um só olho e com as patas traseiras de boi terminadas em garras. A única maneira de destruí-lo é cortando-lhe o olho. Para exemplificar o que digo, basta pensar na lenda do Chullachaqui, demônio da selva, criado, pelos padres espanhóis, para obrigar os incas a batizarem-se na igreja católica; ele aparece a todas as pessoas que não creem em Deus e que não estão batizadas.


Bem, desse modo, divirtam-se ao ler o conto de fadas que usarei para ilustrar, de forma invertida, o que foi uma Civilização que pautava pelo cumprimento do dever de cada um para que os direitos de todos pudessem existir.








Ollantay:  Rebelião por Amor.
 
Conta-se que o capitão Ollanta (ou Ollantay) tenha se apaixonado por Cusi-Coyllur, filha do Inca Pachacutec. Ao pedir a mão da princesa e ter seu pedido negado, revoltou-se, trancando-se em uma fortaleza. No entando, desse amor, a princesa Cusi-Coyllur dá à luz uma filha e o Inca Pachacutec morre de indignação e vergonha.
O príncipe herdeiro, então, vinga-se, sitiando Ollanta e encerrando sua irmã em uma prisão. Depois de muitos anos, quando o Inca, finalmente, consegue a rendição da fortaleza, Hima-Sumac, filha do capitão e da princesa, intercede pelos dois, obtendo  perdão para ele e a libertação da mãe.




Não que um inca não pudesse apaixonar-se ou que não estivesse, enquanto ser humano, sujeito a isso. Mas, como disse, anteriormente, a estrutura do Tahuantinsuyo era uma verdadeira "máquina", com perfeitos encaixes, que não davam margem a atos de tal monta. Em primeiro lugar, havia um respeito muito grande pela sociedade como um todo - ainda que ela fosse uma princesa, ninguém colocaria o Império em perigo por amor; a menos que ele não fosse inca, o que não é o caso.
Todos no Tahuantinsuyo sabiam qual era o seu lugar e o ocupava com propriedade, era isso que garantia, sem ser preciso a força das armas, o funcionamento perfeito da "máquina", e o que proporcionava vida em abundância, prosperidade e fartura para todos.
Também, nenhum Inca, muito menos Pachacutec, iria morrer de indignação ou vergonha. Antes, uma outra solução prática, qualquer, teria sido aplicada com referência ao tal capitão.
Não se teria perdido tantos anos, nem se teria investido tanto, para sitiar uma fortaleza inútil, que não traria benefícios ao Império, nem acrescentaria nada a ele. Um Inca tinha suas responsabilidades, tinha também regras a seguir, não tomava decisões que não levassem a um bem comum - para isso contava com as Panacas, famílias nobres tradicionais que o circundavam, mesmo a sua prória Panaca, e todas, ainda, teriam de ouvir suas múmias ancestrais para tomar decisões. Isso era uma prática diária no Tahuantinsuyo.
E, depois de tudo isso, dizer que a filha dos dois teria conseguido obter o perdão seria ultrapassar a loucura em si mesma. Viver no Tahuantinsuyo era uma dádiva, muitos povos, quando conquistados, por vezes sem a força de armas, mesmo, aceitavam fazer parte dele, pois sabiam que isso era garantia de fartas colheitas e uma vida cheia de benefícios: estes, eram iguais para todos - as crianças, ao nascer, recebiam um "topo" de terra, o que lhes garantiria o sustento através da vida; os jovens, ao casar, recebiam ajuda para construir sua casa - ninguém ficava ao relento. Quando alguém morria, o "topo" voltava para o Estado para ser doado a outro recém-nascido.
Para finalizar, trata-se de Pachacutec (Pachakutiq). Nada mais, nada menos do que o iniciador do Tahuantinsuyo. Sua figura representa o início de toda uma época de transição e reestruturação da sociedade inca, uma etapa de mudanças que continuaria,depois de sua morte, em 1471, com seu filho,  Tupac Yupanqui e seu neto, Huayna Capac. Foi ele quem, realmente, transformou o Tahuantinsuyo em um Império.
Sua visão de Estadista e guerreiro conquistou muitas etnias e estados, expandindo seus domínios, sendo considerado um líder excepcional. Muitos hinos e épicos seriam cantados e contados sobre ele, como tributos a seus feitos.


Pachacutec, "o que muda o rumo da terra"


"...y los tales señores caciques se fueron de allí derechos donde Viracocha Inca estaba y le dijeron cómo Inca Yupanqui los enviaba allí a que viesen en qué era servido, que ellos le sirviesen; y como Virachoca Inca los viese delante de sí y tan gran multitud de señores y de tanto poder, holgose mucho de ello (...). Después de repartirles vasos de chicha y porciones de coca, levantose en pie Viracocha Inca y considerando que pues su hijo le enviaba aquellos señores y ellos tanto le amaban y le querían por señor, que era justo que él asimismo en ello les animase. Les hizo cierta oración, por la cual él de su parte les agradecía lo que por él y por su hijo habían hecho, y que ya sabían (...) que él hasta allí había sido señor del Cusco, y que se había salido de él por causas que para ello le movieron; y que de allí en adelante Inca Yupanqui, su hijo, había de ser Señor en la ciudad del Cusco".
Tomado de "Suma y narración de los Incas", cronista Juan de Betanzos.




Ainda quando não havia sido designado como sucessor, por seu pai, Wiracocha Inca, enquanto este e seu filho Inca Urco, saíam da Capital, diante da iminência de um ataque mortal e sob terrível ameaça. dos Chancas, tomou a si a tarefa de proteger a cidade e a vitória sobre estes fez com que Wiracocha o reconhecesse como sucessor em 1438.


Implantou o sistema de mitmakuna, ou mitimaes - traslados- em todo o Tahuantinsuyo: eram grupos de pessoas enviadas pelo Estado, a qualquer ponto conquistado pelo Inca, a fim de realizar tarefas específicas de coesão. Colonizavam, ensinavam as técnicas e modos de produção cusquenhos, ou seja, da capital Cusco, ensinavam leis e costumes, divulgavam a religião dos incas. Também controlavam as populações recém incorporadas ao Tahuantinsuyo, produzindo os elementos básicos que cobrissem suas necessidades, reproduzindo traços culturais para uni-los ao todo.
Com o aumento do Império, aumentou também a demanda de alimentos, moradias e necessidades básicas, pelo que Pachacutec investiu em uma série de obras de construção, como a formação de novos bairros , novas praças, etc, e também, agrícolas, intensificando a produção, graças à criação de canais, para melhor distribuição de água, bem como todo um novo sistema de armazenamento e a construção dos andenes (terraços para plantio). Remanejou áreas, ao redor de Cusco, para que fossem utilizadas como sementeiras, relocando seus ocupantes em outros lugares, igualmente férteis.
Reedificou o Templo do Sol, tranformando-o, de um humilde lugar, de culto so sol a um suntuoso templo que passou a ser conhecido como Qoricancha (Templo de Ouro).
Foi quem organizou o Império em quatro regiôes, ou suyos (Tawantinsuyo - as quatro regiões), tendo como centro a cidade de Cusco (umbigo, ou centro, do mundo): a leste, Antisuyo, a oeste Contisuyo, ao norte o Chinchaysuyo e, ao sul, o Collasuyo.


Diversas crônicas afirman que foi tambén um grande administrador, planificador, filósofo, observador da psicología humana e carismático general. Juan Díez de Betanzos em sua "Suma y Narración de los Incas" (1551) diz que Pachacutec foi um jovem íntegro, "muy virtuoso, muy amigo de hacer el bien a los pobres" (muito virtuoso, muito amigo em fazer o bem aos pobres).



             (Monumento a Pachacutec em Aguas Calientes, perto de Machu Picchu, no Perú)



1.23.2011

PIRERAYEN - LENDA DA FLOR DE GELO !!!







Na noite alta aparece Pirerayen, a flor do gelo, que perde suas pétalas com os primeiros raios do sol. No gelo, surgem as pequenas flores vermelhas, com a forma de um coração no centro mas, se alguém chegar, nesse exato momento, pensará que uma pessoa ferida teria caminhado, sangrando, desde a ponte de gelo até o paredão norte da lagoa que cai sobre as águas geladas. Por detrás do morro "La Corona"(a Coroa), o mais alto da "Cordilheira do Vento", encontra-se uma lagoazinha, encaixada entre os morros, que dá origem ao arroio Huingan Có. Devido à sua altura e encaixe, possue trechos de geleiras eternas que, nem mesmo em anos muito secos se derretem e durante a maior parte do ano a lagoa permanece congelada. Quando ocorre o degelo, no final da primavera, na nascente do arroio, uma ponte de gelo vai se formando que se estende em um túnel de mais de uma centena de metros morro abaixo.


Certa vez, a bela Millameulén (vento de ouro) disse ao seu amado Huilliman (condor do sul), que só casaria com ele se ele conseguisse a flor mais bela e rara encontrada no alto da Cordilheira. Como seu amado não voltava, Millameulén seguiu suas pegadas disformes, na neve, até chegar à ponte de gelo na nascente do arroio Huingan Có. Alí, notou que as pegadas se transformavam em uma linha vermelha, como sangue e, inclinando-se para olhar, pode observar que eram umas pequenas flores vermelhas que, apenas, se destacavam do gelo. Cortou uma flor e a aproximou dos lábios, chorando por seu amado perdido Huilliman. Com seu beijo apaixonado, um coração, totalmente branco, como a neve, formou-se no centro da flor. Compreendeu, então, que, seu amado, ao não encontrar uma flor digna de seu amor, converteu-se, ele mesmo, na flor mais rara, espetacular e bela da Cordilheira.
Para mostrar, ainda mais, seu amor, quando a menina começou a regressar, todas as flores murcharam, exceto a que levava presa em seu cabelo escuro. Pirerayen, a flor do gelo, é muito procurada pelos apaixonados, pois conta-se que devolve o amor perdido e fortalece o amor enfraquescido.








Para os mais aventureiros e exploradores, Huingan-Có oferece visitas guiadas a pontos turísticos do lugar que exigem mais esforço e o caminho não é tão simples quanto os outros.
Entre os lugares para conhecer-se, com um guia, destaca-se La Corona, que tem uma subida de cerca de 2.992 metros acima do nível do mar, cinco horas de caminhada em ritmo acelerado para chegar ao cume.
Para chegar ao local onde o passeio começa deve-se tomar a estrada que leva para o bosque. Alí se chega ao setor de embarque para a trilha que conduz ao cume.
Durante o passeio pode-se apreciar a incrível paisagem que rodeia a Cordilheira do Vento e, a poucos metros do topo, a pequena lagoa, citada na lenda. rodeada por neves eternas, de onde nasce o Huingan Có. De lá de cima, uma vista panorâmica do local , com suas lagoas, rios e a majestosa Cordilheira dos Andes.
Outra visita guiada é o Monumento Cañada Molina, acessado pela Rota Provincial N ° 39, a uns7 km da localidade de Huingan-Co, a 1600 metrosdo nível do mar.
A área possui uma superfície de 50 hectares e é um local destinado a proteger as relíquias de ciprestes de cerca de 1200 anos de idade.
Por fim, os petróglifos de Colo Michi Có, lugar único em toda a Patagônia e América do Sul, considerado um dos locais mais importantes de arte rupestre.
Encontra-se o lugar viajando pela Rota Provincial 39, que se conecta à cidade de Varvarco. Os petroglifos estão a 1.890 metros acima do nível do mar e o local é composto por 600 blocos gravados; segundo estudos foram realizados por volta do ano 500 dC e têm um caráter religioso. Em todos os passeios recomenda-se um guia.







QUINARA - O TESOURO DO INCA.


                                          Francisco Pizarro prende Atahualpa Inca em 1553.


Quinara. Os moradores relatam a caminhada de sete mil incas que carregavam o tesouro dos Templos do Sol, do reino de Quito, indo por essas trilhas, habilmente construídas, com destino a Cajamarca... Ouro para o resgate de Atahualpa.
Quando um grito de dor ecoou pelas terras do Tahuantinsuyo: "Chaupi punchapi rutayaca!”, “Anoiteceu ao meio dia! - grito que, desde a cidade de Cajamarca se extendeu pela terra. Com a notícia da morte de Atahualpa, Quinara, capitão de seu exército, enterrou, no próprio vale que estavam atravessando, o ouro que levava, daí surgindo o nome do lugar.


O Vale de Quinara está situado a uns cinquenta quilômetros da cidade de  Loja, a sudoeste, no Equador. O lindo lugar é explorado, turisticamente, misturando a beleza das flores exóticas a construções coloniais transformadas em hospedarias. Chega-se a Quinara através dos vales de Malacatos e Vilcabamba.


De Loja se pode pegar um ônibus no terminal rodoviário ou um táxi-ruta, que transportam turistas até a cidade. De carro, os turistas têm duas opções: 1) estrada Loja - Vilcabamba - Masanamaca - Quinara, uma hora de distância. 2) A estrada Loja -Vilcabamba - Linderos - Tumianuma - Quinara, que leva uma hora e meia. O Pilar do Inca, as Pilastras do Inca e a Caverna do Inca, são lugares para se visitar.

                                                                   ponte de quinara




Quinara está a 1.300 metros acima do nível do mar e tem uma temperatura média de 21 graus centígrados. O vale é um lugar ideal para se viver: clima temperado, ar fresco, alimentos orgânicos, que permitem aos moradores uma vida longa e tranquila; um deles tem mais de cento e doze anos, tendo passado sua vida rachando lenha, plantando e comendo, apenas, os alimentos que produzia.


Esse clima bucólico embala uma das lendas mais tradicionais do lugar, muito contada pelos moradores das velhas casas das fazendas do povoado. Alí, ainda restam as pedras removidas em escavações realizadas pelos caçadores de tesouro. A lenda do tesouro perdido começa em Quinara, onde empresários nacionais e estrangeiros tentaram desenterrar o ouro de Atahualpa que, segundo relatos, está em algum lugar do Vale banhado pelo rio Piscobamba. Alí chegaram muitos historiadores que afirmam que "el mascarón", uma rocha de três faces, marca o lugar onde o tesouro está enterrado. A rocha está como base de uma antiga casa de fazenda, cujo proprietário tinha a fama de possuir uma parte do cobiçado tesouro que, no entanto não teria sido encontrado na totalidade.
O primeiro dono do imóvel foi Amador Eguiguren e depois de sua morte, seu filho Manuel Enrique. Anos mais tarde, com a reforma agrária, a fazenda foi dividida, sendo que, logo depois, Manuel também faleceu.
Os vestígios das escavações realizadas, ainda, permanecem no local, de onde Huasaque é um dos setores mais revirados: no conglomerado existem várias esculturas esculpidas pela ação do sol, da chuva e do vento.
É só falar com um dos habitantes para descobrir a história dos "siete huangos"( sete peças de ouro), ou carregamentos de ouro, enterrados em Quinara; percorrendo a velha Trilha Inca que passava pela Tuna, o Pico Azul e o Charalapo, todos lugares assim chamados em homenagem aos Incas.
Quinara, estava bem perto de Cajamarca, já passara Cuxibamba e agora estava superando Vilcabamba (Wilcopamba), quando surge a notícia do assassinato de seu imperador. Ele descarrega a enorme carga de ouro que ele transportava, define um ponto concêntrico eqüidistante a um comprimento de som de apito a partir das três faces da rocha em três montanhas que cercam o vale sob as dobras da serra. Nesse ponto específico, ele enterra o tesouro, juntamente com as llamas. Antes devolver o ouro a Pacha Mama, do que aos traiçoeiros espanhóis.


                                                                  

1.22.2011

A CORRENTE DE HUASCAR E O TESOURO DE ATAHUALPA



Conta a História, com o aval de dezenas de registros de cronistas espanhóis e mestiços dos primeiros anos da Conquista, que o Inca Huayna Capac, no apogeu de seu governo, quando o império havia se expandido ao máximo, mandou fabricar uma "waska" (corda ou corrente, da qual deriva o nome Huascar) - de uns 200 metros de comprimento (1) com a grossura de um punho de homem, coberta de placas de ouro articuladas, simulando as escamas de uma pele de cobra, que cintilava ao sol. Nessa época, Cusco brilhava com seus telhados de ouro e com as placas, do mesmo metal, que revestiam as paredes de seus edifícios.(2)
Em uma festa, na qual foi nomeado o primogênito, a corrente de ouro foi mostrada, na Capital do Império, circundando toda a Praça Aucaypata, erguida pelas mãos dos nobres. Em meio a cânticos e hinos ao Sol, o futuro herdeiro do trono foi apresentado, em uma espécie de cerimônia de batismo ou "sutichay" para, futuramente, ser coroado como Huascar Inca, no momento da morte de Huayna Capac. 
Huascar Inca chegou a ocupar, no curto tempo de seu governo, o Palácio de Amaru Cancha, em Cusco (atual Universidade de Cusco, Capela de Lourdes e o Templo da Companhía de Jesus); nesse palácio, em uma sala sagrada, era guardada a corrente: a dos Amarus ou serpentes.
É possível que, com a guerra dos dois irmãos, Huascar e Atahualpa, a corrente tenha sido levada para Quito(3), ou como parte do resgate de Atahualpa ou, ainda, levada pela família do Inca ao fugir da cidade (rumo a Paititi).


Mas, onde, afinal, estaria escondida a corrente?


Há relatos de que, ao saber-se da invasão espanhola e sua cobiça por ouro (tão desmedida era essa sede de ouro que, entre os andinos, criou-se a lenda de que os espanhóis alimentavam-se de ouro e prata em lugar de comida) (4), uma ordem foi dada para que se escondesse a corrente e que isso pode ter sido feito em uma lagoa, Canincunca (Q'oyllururmana), também chamada lagoa de Urcos. Desde então, tanto durante a época colonial quanto agora, todos a têm procurado; dezenas de empresas particulares já tentaram drenar a lagoa, sem sucesso, em busca da mítica corrente de ouro; alguns arqueólogos tentaram, pela última vez, há poucos anos.
Como se sabe, os conquistadores não cumpriram a promessa de libertar Atahualpa, caso o resgate em ouro fosse pago, assassinando o prisioneiro soberano Inca. As noticias transitavam,  com rapidez, através do Império. Como resultado, o incessante envio de ouro e prata parou e, nesse ponto da história a lenda do tesouro de Atahualpa começa a nascer... Em Cajamarca, Pizarro e em Pachacamac, seu irmão Hernando, reuniam o cobiçado ouro mas, a maior parte das riquezas não chegou. Apesar de todo o ouro que usurparam, havia muito mais...


                                                  (general Rumiñahui)




Um dos principais comandantes do exército de Atahualpa era Rumiñahui, que havia nascido em Quito, no ano de 1486, e que muitos historiadores asseguram ter sido meio-irmão de Atahualpa, ou seja, filho do Inca Huayna Capac. Nesse momento da história, Rumiñahui lutava contra Sebastián de Benalcázar, que fora encarregado de marchar contra ele. Sebastián havia enviado um mensageiro com uma cruz e uma oferta de paz - o cadáver fora devolvido, como resposta. Rumiñahui havia visto, em Cajamarca, um símbolo igual, nas mãos de um monge sinistro que acompanhava Pizarro.
Rumiñahui reune, então, seus soldados e incita-os a lutar. Pode-se imaginar sua voz forte alertando-os contra esse inimigo, astucioso, que mentia e enganava por ouro, que estuprava mulheres e confiscava terras. Fortalecidos pela necessidade de combater por suas vidas e pelas vidas de suas mulheres e filhos, saem ao encontro dos usurpadores nas planícies de Tiocajas.
Apesar do lugar favorecer o inimigo - os espanhóis podiam movimentar-se, com facilidade, com seus cavalos, nessas planícies - e de ter, este mesmo inimigo, feito uma aliança com o povo Cañari, o que reforçava seu efetivo estrangeiro, os homens de Rumiñahui conseguem anular seu poder de força e, cada vez que matam um cavalo, cortam-lhe a cabeça para mostrar que, por sua vez, estes são mortais.
Uma terrível batalha, que pára ao anoitecer, ao cair do sol, e continua no dia seguinte, é travada e as planícies, que começam a tornar-se cheias de armadilhas para os espanhóis com seus cavalos, cobrem-se de sangue e morte.
Ao que parece, alguém ensina a Benalcázar um caminho seguro para fugir até Riobamba. Rumiñahui decide, então, atacar a cidade. Na hora do ataque, o vulcão Tungurahua entra em erupção. Em meio ao caos, enquanto as pessoas fugiam, aterradas, sob a chuva incandecente, indefesas, os espanhóis matavam-nas, sem piedade.
Rumiñahui se retira, então,com seus soldados, até Ambato. Dalí, segue para Quito, onde tratará de abrigar os feridos e, no caminho, esconde o tesouro de Atahualpa na região sul de Sigsig, no sopé da cordilheira oriental dos Llanganates.







A VOLTA DO FANTASMA DE RUMIÑAHUI
NOTÍCIA RECENTE!!


(Serviço Informativo Iberoamericano - outubro de 1999)
O acidente de um helicóptero, no qual viajavam quatro arqueólogos, no sul do Ecuador, revelou que buscavam o ouro do imperador Inca Atahualpa, que foi escondido, há varios séculos, em um local nunca revelado.
Os cientistas pertencem a um grupo de quatorze pesquisadores da Associação dos Pesquisadores da Marinha das Índias e do Instituto de Arqueologia Náutica da Universidade do Texas e da Fundação Widam; desde novembro de 1998 realizam pesquisas sobre o famoso tesouro.
Os pesquisadores, desde essa época, vivem na área mais ao sul de Sigsig, no sopé da Cordilheira Oriental ou Llanganates, onde presume-se que o guerreiro Inca Rumiñahui tenha escondido o ouro no Reino de Quito, o que seria o pagamento de resgate de seu irmão, o imperador Atahualpa, assassinado pelos espanhóis em Cajamarca.


Os arqueólogos acreditam que, embora exista um pouco de lenda, de fato, há elementos verossímeis e uma boa possibilidade de que o ouro esteja na área de Sigsig, onde também estão estudando vestígios antropológicos e arqueológicos.
O chefe da missão, Michael Paret, disse que, após investigação no Archivo das Indias, em Sevilha, descobriu a história de Ayllón (Sigsig) e da "lagoa encantada", na qual, aparentemente, poderiam estar escondidos os objetos de ouro que iriam servir como resgate de Atahualpa.
Paret afirma que, de acordo com o estudo realizado no Museu da Índia e com base em comparações de escritos sobre o tesouro, ele existe. ''Pode ter-se criado uma lenda em torno dele, como sempre acontece com fatos históricos como esses, mas o fato ocorreu e o ouro deve estar em algum lugar. Está provado que os escritos que se referem ao resgate de Atahualpa são noventa por cento verdadeiros.''
O primeiro passo da pesquisa foi encontrar evidências de restos humanos, da época, no fundo do lago Sigsig mas, enquanto realizavam suas investigações, foram surpreendidos por um grupo de mineiros que extraem ouro no lugar, de forma artesanal, que quiseram expulsá-los por pensarem tratar-se de mineiros estrangeiros. Isso obrigou-os a solicitar proteção às autoridades locais e a contratar um helicóptero, para que, concluída a primeira fase, pudessem deixar o local sem ter de passar pela área de mineração. No entanto, apenas quatro conseguiram sair porque, na segunda viagem, enquanto viajava de Sigsig para Gualaceo, o helicóptero acidentou-se, devido a uma rajada de vento que o desestabilizou, atirando-o nas águas da chamada "lagoa encantada". Os quatro arqueólogos americanos, feridos, conseguiram se salvar.
Para alguns moradores locais, o acidente foi causado pelo espírito de Rumiñahui, que não permitirá que o segredo seja descoberto. Rafaela Curuchumpi, uma das moradoras da área, acredita que não se deva brincar com os fantasmas dos antepassados, o que pode trazer má sorte. "Por que procurar um tesouro que, seguramente, foi levado pela lagoa e é protegido pelos bravos guerreiros de Rumiñahui. Essa ambição pode ser muito negativa", disse ela.


Outro expedicionário famoso foi Ralf Blomberg , nascido na Suecia, em 11 de novembro de 1912. Foi explorador, escritor, fotógrafo e cineasta. Faleceu no Equador em 1996. Realizou 6 perigosas expedições em busca do tesouro escondido por Rumiñahui. Sua obra mais importante foi Guld att hämta ( Oro enterrado y anacondas) , Gebers, Estocolmo, 1956. Também produziu  dois documentários sobre o mesmo tema: Jakt på Inkaguld ( En busca del Oro Inca) Rolf Blomberg & Torgny Anderberg Formato: 16mm Ano: 1969.
(por Kintto Lucas, Correspondente do Serviço Informativo Iberoamericano da OEI, Quito, Equador)






 É um terrível paradoxo o fato de que os espanhóis, considerando os habitantes do Império Inca como, apenas, "índios", seres inferiores, segundo seu critério, por não possuírem um sistema de escrita como a deles, tivessem, em suas mãos, a tarefa de relatar a história desse povo.


De tudo o que foi dito pelos cronistas-historiadores espanhóis, devemos ter o máximo cuidado na hora de abordar o estudo dos povos andinos. Por isso, só podemos entrar em seu mundo, no sentido de compreendê-lo, atravessando a porta de seu "mundo mítico", lembrando-nos, sempre, de que ainda existem, e que, como sempre, sua cultura e seus segredos são passados, oralmente, de geração em geração, a seus descendentes. Talvez, a tarefa de extrair a realidade, entre tantos desvarios de interpretação, seja inglória, principalmente para aqueles que cultuam bens materiais como deuses, no entanto, tentarei mostrar, aos poucos, lapsos desse mundo que parece tão perdido quanto a cidade perdida de Paititi (Paikikin) e que só se deixará mostrar, como ela mesma, aos que o recebem com amor.






(1) Alguns autores chegam a afirmar 700 pés.


(2) talvez através do túnel que saía desde o Qoricancha (Templo do Sol), em Cusco e que levava até Quito (Equador), esse túnel ainda está sendo pesquisado por arqueólogos.


(3) "Tenemos por muy cierto –dice el cronista Cieza– que ni en Jerusalén, ni en Roma, ni en Persia, ni en ninguna parte del mundo, por ninguna república ni rey del se juntaba en un lugar tanta riqueza de metales de oro y plata y pedrería como en esta plaza del Cuzco". (cronista Pedro Cieza de Leon, la Cronica del Peru).


(4)  Poma de Ayala , Nueva Crónica, l6l5, pág. 369,370


 BIBLIOGRAFIA


1) Eliade, Mircea, "El mito del eterno retorno", Ed Alianza, 2000 
2) Pease, Franklin, "Los últimos Incas del Cuzco", Alianza, l99l


ver também: Rivero y Tschudi, Antigüedades peruanas p. 213). (Citado por Memorias sobre las antigüedades neogranadinas : Uricoechea Ezequiel)


OBSERVAÇÃO: Esta foi uma de minhas primeiras pesquisas e eu, ainda, acreditava que o povo remanescente que ocupa toda a região andina fosse, de alguma forma, Inca. Não é verdade. Os Incas estão, infelizmente, extintos. Afinal, precisamos fazer uma diferença entre os Incas e os povos que eram 'incas' por agregação, vivendo, enquanto povo inca, obedecendo leis e participando enquanto povo, porém, sem serem, verdadeiramente, Incas. Os Incas casavam-se, uns com os outros, sem misturar-se, pois isso era necessário enquanto Filhos do Sol. Como em todas as postagens que eu escrevo este assunto é retomado e explicado, não vou me estender aqui. Portanto, todos os povos andinos, que falam Quechua e Aymara não são Incas, embora continuem, guardando, como podem, o que restou de memória, cultura e, principalmente, segredos. Valorosamente, guardiães do tesouro Inca, que precisa ser preservado para a volta dos seus Filhos, como se acredita que ocorrerá proximamente. Essa volta só pode ser compreendida quando você compreende o que significa ser Inca e acredita que eles sejam mesmo os Filhos do Sol e o milagre de Sua presença na Terra. Assim, como um dia, do nada, eles chegaram como duas crianças divinas para iniciar uma Nação, deverão voltar para retomar sua tarefa, depois dos últimos quinhentos anos de 'inversão dos mundo'. Mas, essa é uma outra história...